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Foto: Luiz Sousa

Cervo-do-pantanal

Blastocerus dichotomus

O cervo-do-pantanal é o maior cervídeo da América do Sul. Ocupa campos periodicamente inundados, como várzeas, áreas brejosas e savanas inundáveis.

Classe: Mammalia

Ordem: Artiodactyla

Família: Cervidae

Nome científico: Blastocerus dichotomus

Nome vulgar: Cervo-do-pantanal

Categoria: Ameaçada

Características: O cervo-do-pantanal é o maior cervídeo da América do Sul. Ocupa campos periodicamente inundados, como várzeas, áreas brejosas e savanas inundáveis. Devido ao seu porte avantajado e elegante, e também à sua haste que alcança 60cm de altura, foi muito procurado como troféu de caça. A pressão de caça furtiva sobre a espécie tem diminuído devido à sua progressiva raridade e ocorrência em áreas de difícil acesso. O cervo-do-pantanal possui uma coloração que varia de bruno-avermelhada até um tom castanho-rufo. Pode-se notar essa variação individual no padrão de coloração negra nas patas e canelas. Há uma membrana na fenda dos cascos, unindo-os, denotando uma adaptação para caminhar em solos encharcados. Pode ser considerado podador/pastador, alimentando-se de arbustos, como as leguminosas Aeschynomene spp. e Discolobium pulchellum. Utilizam ainda, com grande freqüência, a macrófita aquática camalote-da-meia-noite (Nymphaea spp). Parece não haver competição por alimento com o gado doméstico. Este último, no entanto, promove um efeito mecânico deletério sobre as forrageiras utilizadas pelo cervo-do-pantanal, fundamentalmente por quebra de arbustos e pisoteio, reduzindo as áreas utilizadas para alimentação. Não há uma estrutura social bem definida. Avistam-se geralmente machos solitários, acompanhando fêmeas no cio, prenhes ou com filhote. Podem-se encontrar grupos de machos e fêmeas nas mais diversas proporções. É comum encontrarem-se aglomerações de animais próximos a cursos d'água, especialmente durante o período seco. Esses grupos, porém, são instáveis e não formam agregações coesas. O período de gestação é de aproximadamente nove meses, nascendo um filhote por ninhada. Não há uma estação de nascimento nítida. No Pantanal, eles ocorrem de maio a outubro, antes da estação chuvosa. O cervo-do-pantanal possui poucos predadores naturais, tendo sido observado apenas um indivíduo predado entre 23 presas ainda frescas de onça-pintada (Panthera onca) na Fazenda Acurizal, no Pantanal do estado do Mato Grosso.

Altura: 120 cm de altura

Peso: Podendo atingir 150kg.

Comprimento: Comprimento de cabeça e corpo entre 1,8 e 1,9m, cauda de 10 a 15cm. Sua enorme galhada pode medir em torno de 70 cm.

Ocorrência Geográfica: A distribuição original abrangia áreas pantanosas ou inundáveis do sudeste do Peru, Paraguai, Bolívia, nordeste da Argentina, e possivelmente o noroeste do Uruguai. No Brasil, distribui-se nos estados de Rondônia, Amazonas, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, no norte do estado de Minas Gerais (bacia do rio São Francisco) e na região sul do Brasil. Como o nome sugere, os hábitats que o cervo-do-pantanal utiliza estão restritos a áreas inundáveis, como várzeas de rios, banhados, savanas e campinas sazonalmente inundadas.

Categoria/Critério: VULNERÁVEL - A espécie é muito vulnerável à caça, por ocupar ambientes geralmente abertos, o que torna fácil a sua visualização. No início do século, foi muito procurada por sua pele, além dos cornos para troféu de caça. Atualmente, a caça furtiva praticada por turistas, por populações de baixa renda e por caçadores de finais de semana em muito afeta os exemplares que chegam próximo às cidades e rodovias (Z. Campos, com. pess.). A destruição do seu hábitat e as atividades de caça são fatores ou processos primários causadores da redução das populações. Igualmente grave é a introdução e dissemineção de doenças como brucelose e febre aftosa por ungulados exóticos. Acredita-se que estas enfermidades sejam responsáveis por grande parte das mortes de cervo-do-pantanal nos períodos de cheia na região pantaneira. Neste período, os cervos-do-pantanal são obrigados a conviver estreitamente com bovinos e porco monteiros (Sus scrofa) infectados, em áreas isoladas pela inundação anual. As unidades de conservação federais e estaduais não são capazes de garantir a sobrevivência da espécie, pois são áreas reduzidas, onde não se encontram populações residentes, ou são estas muitos esparsas ou mesmo ausentes.

Cientista que descreveu: Illiger, 1815.

Observações adicionais: São escassas as informações que versam sobre o status das populações de cervos-do-pantanal para o território nacional. As informações mais interessantes foram fornecidas por Schaller, na década de 70, quando o mesmo realizou levantamentos aéreos no Pantanal matogrossense. Apesar das limitações metodológicas, obteve-se uma estimativa populacional variando de 5.000 a 6.000 indivíduos, podendo alcançar a cifra de 7.000, para uma região de aproximadamente 140.000km².

Fonte: Mauro, R. A. Cervo-do-Pantanal Blastocerus dichotomus. Organizado por G. A. B. da Fonseca. Livro Vermelho dos Mamíferos Brasileiros Ameaçados de Extinção. Belo Horizonte: Fundação Biodiversitas, 1994, p. 397-404.