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27/05/2012

Importância do verde urbano

Arno Rieder Portal Go! Pantanal



Um dos lugares ecologicamente mais incorretos provocado pelo homem é, em geral, no Brasil, o ambiente urbano. Embora o homem urbano seja o mais crítico sobre desflorestamentos no meio rural, ao mesmo tempo em que é o maior consumidor de produtos resultantes das produções destas áreas. Por exemplo, é contra a cultura de soja, do algodão, mas é fiel consumidor de óleo de soja em suas refeições assim como usuário de roupa de fio de algodão.

Contudo, o ambiente urbano é o lugar onde se concentram moradias, serviços e obras coletivas, em geral, ecologicamente mal planejadas. O meio urbano tem elevada densidade populacional. As pessoas que o compõem geralmente entram em conflito e em competição com a maior parte dos elementos naturais que ali existem ou existiam. Esta insana urbanização pode atingir níveis de remoção drástica dos elementos que ali estavam em equilíbrio natural, negando-lhes espaço para continuarem ali e que poderiam, em planejamento mais racional, configurar, junto com a intrusão adensada do homem, um meio urbano mais saudável.

Os projetos de ampliação de ocupação urbana, na maior parte dos municípios brasileiros, são executados de modo a agredirem e desrespeitarem profundamente a natureza, desconhecendo o papel que poderia proporcionar aos que ali querem chegar.

Ilustra-se isto com os programas “Minha Casa Minha Vida” e de outros de conjuntos habitacionais: removem inicialmente a vegetação; depois a camada superficial do solo, no mínimo, no eixo das estradas, levando este solo para fora e longe; na base da casa alteram tudo drasticamente; instalam casas de concreto ou similar; implantam rede de esgoto no novo residencial, mas levando os conteúdos para serem lançados em outros residenciais mais antigos e menos adensados, até mesmo jogando em quintais de outros moradores, nem tão próximo (até 2-6 Km). O poder público não podia deixar isto acontecer, mas deixa, faz de conta que nada tem a haver com esta situação.

Os ambientes urbanos futuros deveriam se instalar em ambientes naturalmente já bastante equilibrados e receberem os novos integrantes progressivamente, até um limite suportável e em ritmo que propiciasse as adaptações e mobilizações para alcance de novos estágios de equilíbrio. Uma primeira condição seria remover o mínimo os elementos naturais do lugar, em especial a vegetação.

Os ambientes já urbanizados deveriam sofrer avaliações profundas sobre a qualidade de vida que proporcionam e qual a tendência disto, em face de sua situação atual de composição e distribuição de elementos naturais, em especial referentes à flora.

As plantas ajudam a infiltração da água no solo, assim como podem purificar ambientes contaminados ou evitar a contaminação se disseminar; captam, absorvem, filtram a radiação solar, ajudando a reduzir os danos da radiação nociva e, assim ajudam até reduzir incidência de doenças como de câncer.

Há municípios no Brasil que já taxam com IPTU menor lotes que reduzem áreas concretizadas ou calçadas substituindo isto por espaços arborizados, em face do serviço que isto presta de aumentar a infiltração no solo de águas de chuvas, evitando desastres com enchentes.

O verde urbano estabelece um microclima mais ameno e estável e, de microclima em microclima se pode chegar a um macroclima mais estável e saudável. São vários os componentes de clima que são afetados pela vegetação, e funcionam como regulador tampão de: temperaturas, umidade, ventos, irradiação solar, evapotranspiração, luminosidade, etc.

As plantas oferecem sombra, extremamente importante em regiões tropicais e subtropicais.

A ausência ou pouca vegetação em meio urbano faz a condição local se aproximar a ambiente desértico.

O ambiente urbano vegetado ajuda a reciclagem de nutrientes no solo e a retenção destes, assim como a produção de madeira, lenha, material para artesões, frutos, flores, fontes para néctar, pólen e resinas para abelhas.

O cultivo de vegetais em meio urbano ajuda a amenizar o gasto com compras de alimentos (verduras, frutas, raízes, etc.), complementando a renda familiar. As mangueiras, cajueiros, seriguelas, bocaiúvas e outras espécies em ambiente público ajudam a alimentar muitas famílias e crianças carentes neste Brasil tropical.

A indústria natural “verde vegetal” seqüestra carbono, despoluindo, diante da alta emissão e concentração de carbono no meio urbano (emissão desde o que é emitido por cada pessoa até pela indústria e pela combustão de automóveis); em troca ainda libera-nos o oxigênio. Logo o verde urbano também propicia mais um serviço de alto valor: a despoluição e oxigenação do ambiente.

As plantas ornamentam o ambiente. Estimulam criatividades de arranjos florísticos, seja para jardins particulares como públicos.
O verde urbano abriga um ambiente saudável, harmonicamente sonoro (ex.: pássaros cantando) e aromatizado (ex.: pelas flores) para o exercício físico do amanhecer ou do entardecer; a caminhada neste ambiente é um dos melhores remédios para desestressar e se re-energizar de bons fluídos. O ato de cultivar plantas e passear entre elas é um potentíssimo elixir da longa e saudável vida, e este exercício além gerar uma interação de energização positiva entre homem-planta, abre caminhos à comunicação com o bem e com Deus.

Quanto a composição da vegetação urbana esta preferencialmente deve ser bastante diversa, constituída de espécies que precisam ser preservadas, que possam produzir coisas de alto valor como: frutas, flores, madeiras, lenha, enraizar pivotantemente, atrair predadores de pragas, ter alta capacidade de despoluir, de oxigenar, etc.), substâncias e compostos medicamentosos para trato da saúde (plantas medicinais), etc.

O verde urbano atrai e possibilita a re-instalação da diversidade biológica animal também, assim como o estabelecimento de um controle natural sobre animais-pragas, evitando explosão populacional.

O verde vegetal é uma dádiva divina para propiciar a vida neste nosso planeta. É a indústria do princípio de tudo, pois daí origina-se a produção primária de biomassa: alimento; matéria prima para abrigos, instrumentos, acomodações, decorações, comunicação (ex.: papel) energia; medicamentos, etc.

Organizações de saúde (OMS) mundialmente respeitadas recomendam por volta 12 m2 de área verde por habitante. O novo código florestal prestes a ser implantado no Brasil indica que deve haver 20 m2 em média, bem distribuídos, por habitante brasileiro. Isto é um grande avanço, e quem não puder ter isto pode pagar por serviços ambientais a outros que tem sobrando.

Um grande desafio, que se tem é convencer cada cidadão atual para dar sua contribuição a implantação do verde urbano requerido, enquanto as futuras gerações adultas devem ser convencidas principalmente pelas escolas, através do processo formal de ensino-aprendizagem, complementando por ações informações desde familiares, por associações e até pela mídia massiva.

Professore(a)s: temos uma desafiadora e bela tarefa pela frente, de educar para um verde urbano planejado, implantado e mantido, oferecido para as atuais e futuras gerações, que se sucedem.
Arno Rieder é Engº Agrº, Dr. Em Saúde e Ambiente; Prof. da Unemat; Ext. EMPAER-MT (em licença).
Parte de uma palestra sobre o “verde urbano” em escolas de Cáceres (MT); Articulação: Grupoa Pesq. - FLOBIO, PRAGADU, e pela Assessoria de Extensão da Coord. Do Campus Universitário de Cáceres, Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT).

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