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05/03/2013

Projeto busca alternativa de renda para pescadores de Corumbá e Ladário

Diário Online/WM



Foto: Anderson Gallo/Diário Online
Projeto Peixe Solidário foi apresentado durante ato no Centro de Convenções
"Criamos gado no quintal, cabritos no quintal, galinhas no quintal, por que não criar peixes no quintal?". Com esse questionamento, o superintendente federal do Ministério da Pesca e Aquicultura, Luiz Davi Figueiró, enfatizou a necessidade do desenvolvimento do projeto Peixe Solidário, que visa criar peixes em tanques rede no Pantanal, possibilitando assim a renda alternativa aos pescadores das Colônias de Corumbá e Ladário.

A apresentação do "Peixe Solidário" ocorreu na sexta-feira, 1º de março, no Centro de Convenções. O projeto é uma parceria entre a Prefeitura de Corumbá, por meio da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal e a Confederação Nacional dos Pescadores. A intenção é promover uma alternativa viável de geração de renda para os pescadores profissionais da região e preservar o estoque pesqueiro da Bacia Pantaneira.

"Esse projeto é voltado para a melhoria da qualidade de vida dos pescadores profissionais, do leito turístico e da produção de peixes no Pantanal. Há muito tempo, os pescadores vêm reclamando que falta peixe e encontram dificuldades de ter as mesmas capturas que faziam, além disso, o peixe na região está sendo vendido a valores impraticáveis. Diante desses fatores a administração vai buscar com a execução desse projeto, tanques rede para a criação de peixes, e assim, tenhamos uma melhoria da produção de nossos estoques pesqueiros em longo prazo", enfatizou, Ricardo Eboli, Gerente de Pesca e Aquicultura da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal.

A apresentação do projeto contou ainda com a participação do presidente da Federação de Pescadores de Mato Grosso do Sul, Armindo Batista, e do presidente da Confederação Nacional de Pescadores, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz. Este último, enfatizou a questão de que o projeto visa uma alternativa de renda para aos pescadores, não a retirada dos mesmos dos rios. "Esse projeto é de fundamental importância, pois ele visa sanar a principal dificuldade dos pescadores dessa região, que é a defasagem do estoque pesqueiro. É importante que os pescadores se atentem. Não queremos retirá-los dos rios, queremos dar uma alternativa de pesca. Após a fase de capacitação dos pescadores, através das unidades, eles poderão buscar, através das linhas de crédito, financiamento para criação de seus próprios tanques e assim, criar os peixes de forma alternativa na beira do rio. Ele poderá da mesma forma, continuar saindo para pescar no rio, da forma como é feita há muitos anos, enquanto isso, sua família ficará cuidando do estoque que está sendo criado e assim, a renda do mês daquela família estará segura", explicou Abraão.

O projeto

O Peixe Solidário será uma unidade demonstrativa implantada próxima à região do rio Taquari, conhecida como Porto Aterradinho. Em tanques, serão cultivados peixes das espécies pacu e pintado ao longo de quatro anos. O projeto visa capacitar 800 pescadores a criar peixes em taque rede. A partir dessa iniciativa, a cidade terá condições de mostrar, principalmente ao segmento de pescadores profissionais, que Corumbá é um forte polo de piscicultura.

No decorrer de quatro anos, serão criadas unidades por mais de 250 quilômetros do rio Paraguai. As áreas contempladas serão aquelas onde a decoada (período que provoca a deterioração da qualidade da água dos rios e, consequentemente, a mortandade de peixes no Pantanal) não exerce influência de grande demanda. Os pontos a serem instaladas as unidades são: Porto da Manga; Codrasa; Prainha; Extensão de Albuquerque; Paraguai-Mirim; São Domingos; Buritizal e a primeira a receber as instalações, Porto Aterradinho. Os peixes produzidos nas unidades serão destinados, durante os quatro anos de experimento, às escolas do município e entidades filantrópicas.

No futuro, informou Ricardo Eboli, o projeto prevê a criação de polos de piscicultura no Pantanal. "O projeto foi protocolado em dezembro de 2012 no Ministério da Pesca e estamos aguardando a aprovação. Depois disso, implantaremos a unidade demonstrativa. Após o conhecimento dos pescadores, teremos a livre iniciativa deles em buscar recursos e produzir seus tanques. Podemos igualar esse projeto a uma escola técnica. Nos quatro anos, capacitaremos os pescadores para depois, eles prosseguirem suas atividades de forma direta e produtiva", concluiu Eboli.

Expectativa

A presidente da Colônia de Pescadores de Corumbá, Luciene de Lima, informou que os pescadores da cidade estão interessados no projeto e querem investir nessa nova modalidade pesqueira.

"Atualmente temos cerca de 1.200 pescadores cadastrados em nossa colônia e há alguns anos estamos ouvindo a reclamação deles de que encontrar peixe nas proximidades da cidade está difícil, eles acabam tendo que se afastar e alguns passam até meses pescando e só enviando o pescado para a família, ou seja, ter pescado de forma natural, como é feita há tempos, está sendo uma tarefa árdua. Diante disso, muitos de nossos pescadores disseram que vão optar pela criação de peixes em tanque. Frisamos que eles terão os mesmos direitos e isso não os impedem de sair para o rio em busca de pescado", enfatizou.

Anselmo Gomes da Silva, 37 anos, pescador há 12 anos em Corumbá, participou da apresentação do projeto, pois, nos últimos anos, recorreu a bicos de pedreiro para dar conta do sustento familiar. "Não tenho barco, somente canoa, logo, não vou pescar muito longe e para se ter uma boa pescaria está sendo preciso se afastar da cidade. Ano passado, eu trabalhei como ajudante de pedreiro, fiz diversos "bicos" e contei com a ajuda da esposa para dar conta de sustentar a casa. Quando fiquei sabendo dessa oportunidade de criar peixes, de ter uma produção fixa de pescado, me interessei, pois ao mesmo tempo que quero uma boa renda, também não quero largar a profissão", afirmou.

Entre muitos que desconheciam o projeto, estava Américo de Souza, 64 anos, que participou durante três anos do estudo experimental da Embrapa do Pantanal de Corumbá, da criação de peixes em gaiolas no trecho do rio Paraguai, chamado Bracinho, que nasce no Paraguai-Mirim e deságua em frente à Codrasa, em Ladário.

"Ao participar, eu vi que é algo que dará certo aqui para todos nós. Eu vi que quando criamos aqueles peixes, já temos ali, garantida a fonte de renda, não precisamos ficar dias, horas, navegando pelo rio para pegar alguns peixes e ter que vendê-los a alto preço. Eu pretendo participar desse projeto, pois é algo que já participei, sei que é válido e quero ainda apesar de ter mais de 60 anos, lucros, como tinha antigamente, quando eu comecei a pescar com 14 anos de idade", concluiu.

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