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29/07/2014

Por que as aves da Amazônia estão invadindo o Pantanal?

USSARA UTSCH* Blog do Planeta



Foto: Divulgação/Douglas Trent/Sustentar
Papagaio-verdadeiro no céu do Pantanal
A curica (Amazona amazonica), um papagaio, é uma ave comum da Amazônia, mas não deveria ser comum ter tantos registros da espécie no Pantanal. É a quinta vez em uma viagem de pesquisa que Douglas Trent, ecólogo e fotógrafo de natureza, reconhece a ave e mais oito espécies do Bioma Amazônia, na região de Cáceres, no Pantanal. A grande dúvida do pesquisador são as razões que estariam trazendo esses animais para a região. E por quê essas aves parecem cada vez mais tomar o lugar da espécies naturais do Pantanal. No caso da curica, ela teria dominado a região que antes era do papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva).

Um dos esforços de Trent envolve o levantamento populacional das aves do Pantanal de Cáceres, onde coordena a pesquisa do Projeto Bichos do Pantanal, realizado pelo Instituto Sustentar e patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, no Mato Grosso. “Temos apenas registros aproximados, no Brasil, infelizmente por falta de pesquisas, ainda se sabe muito pouco sobre a população das aves e outros animais de um determinado bioma. Todas as informações sobre espécies ainda são muito estimadas, ao menos na região onde atuamos, e essa é uma das lacunas que estamos tentando responder em nosso projeto”, diz Trent. Ao percorrer os rios Paraguai e Sepotuba em busca de registros mais precisos sobre a avifauna do Pantanal, Trent tem se deparado com outro dilema: as aves da Amazônia estão cada vez mais dentro da região do Pantanal. Ou, o Pantanal de Cáceres seria um corredor quase inédito de biodiversidade de fauna?

A região, na fronteira do Brasil com a Bolívia, é uma das primeiras grandes áreas alagadas do rio Paraguai. Na porção conhecida como o Pantanal de Cáceres, esse grande rio recebe também as águas do Sepotuba. Um dos mais importantes tributários do rio Paraguai, que nasce na Chapada dos Parecis, região conhecida como um divisor de águas entre a bacia Amazônica e do Paraguai. Na mítica Serra, que já foi percorrida por exploradores como o Marechal Rondon, o presidente americano Theodoro Rossevelt e o inglês Percy Fawcett, nascem os afluentes do Pantanal, como o Formoso e o Juba e, também, rios da Amazônia como o Alto Juruena e o Tapirapuã. A proximidade dos dois biomas explica muito da beleza cênica e riqueza natural da região, que atrai até hoje pesquisadores como Douglas Trent.

Trent passa dias percorrendo os rios do Pantanal de Cáceres para tentar desvendar aquele complexo ecossistema. “Se estamos em uma área única do mundo, na qual as aves de ambos biomas de fato fazem essa migração de uma bacia para a outra, será uma descoberta incrível”, diz Trent enquanto o barco sai do braço de águas marrons e barrentas do rio Paraguai para entrar no leito escuro e mais tranquilo do Sepotuba. A paisagem vai mudando aos poucos e a floresta ganha contornos mais densos. As águas escuras, quase negras, e o grupo de vitórias-régias, a imensa planta aquática de um metro de diâmetro, reconhecida pela beleza de sua flor semelhante a um lótus, causam uma certa perturbação, pois a sensação é que de fato ali é a Amazônia e não mais o Pantanal. “Mas, eu temo que os resultados dessa pesquisa não sejam tão otimistas. Acredito que há algo incomum afetando o comportamento das aves. Pode ser a pressão do desmatamento, como também, o aquecimento global. Alguns cientistas já alertam que a tendência é que as espécies do Norte passem a buscar novos territórios nos ecossistemas ainda preservados do Sul”, diz Trent. “E aqui pode ser um dos primeiros pontos do planeta com registros da influência das mudanças climáticas na biodiversidade”.

Apesar de ser um local de megadiversidade e do Pantanal ser considerado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, as nascentes dos rios Sepotuba e o próprio rio Paraguai, estão em uma região de grande pressão por conta do desmatamento e o avanço da fronteira agropecuária. “Se o que registramos for mesmo essa migração de populações é sinal que o Pantanal virou refúgio também para as aves da Amazônia”, afirma Trent.

*Jussara Utsch é diretora do Instituto Sustentar e coordenadora-geral do Projeto Bichos do Pantanal, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental. Especialista em sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral, foi diretora de comunicação do Conselho Empresarial Bras. para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), foi ponto focal do Comitê Brasileiro da Avaliação do Millennium Ecosystem Assessment, da ONU. Criou o programa de TV Brasil Sustentável na TV Cultura de São Paulo e na TV Educativa do Rio de Janeiro. É idealizadora e coordenadora do Sustentar (Fórum Internacional pelo Desenvolvimento Sustentável), um dos maiores fóruns brasileiros para a discussão do desenvolvimento sustentável.)

Animais do Pantanal

  • Arara azul
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Capivara
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Tuiuiu
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Arara azul em seu ninho
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Cervo do pantanal
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Garça branca
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Jacaré
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Casal de Tuiuius
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Casal de Tuiuius em seu ninho
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Quati
    Foto: Arquivo SEMATUR


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