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18/08/2014

Viajando por Mato Grosso

ONOFRE RIBEIRO http://www.onofreribeiro.com.br/



Onofre Ribeiro
A morte do presidencivel Eduardo Campos vai mexer profundamente na poltica brasileira. Por isso, este artigo fora dela. Acabei por me lembrar de surpresas encontradas em viagens por esse imenso Mato Grosso onde vivo desde 25 de agosto de 1976. Fui muito privilegiado nesse tempo, graas ao jornalismo e s oportunidades profissionais. A primeira foi a Cceres, pequena e acolhedora. Marcou-me uma pesca de bagre noite no rio Paraguai. Ali conheci o lcool das pescarias e o peixe como desculpa de pescador.

Almocei dentro da mina mangans de Urucum em Corumb, antes da diviso do estado. Saboreei maravilhoso sarrabulho, o conhecido como sarapatel, e bebi a cerveja local, a deliciosa "Libra", hoje nacional e globalizada. Desci de barco da tradicional Navegao Migueis, que no passado transportava passageiros que viajavam de Cuiab para o Rio de Janeiro. Em 1984, quando fui junto com fotgrafo Geraldo Tavares, ambos pela Revista Contato, transportava cimento para Cuiab. De sexta noite at segunda tarde, deslizando pelos rios Cuiab, So Loureno e Paraguai, ouvindo estrias do Seo Aristides e do capito Joo Batista. Um curso de ps-graduao sobre a vida, sobre navegao e sobre o pantanal. O duro e belo paraso pantaneiro...!

Voltei de noite pelo trem do pantanal, de Corumb a Campo Grande, numa deliciosa cabine balanando aos sacolejos do vago. Descidas e subidas de balsa pelo rio Juruena de guas azuis purssimas, ou pelo rio Teles Pires, antes das pontes. De Cuiab a So Felix, outra viagem pra nunca mais esquecer. A que me deixou encantado, foi em 1994, de Matup a So Jos do Xingu, viajando pela rodovia BR-080, num longo trecho amaznico de rvores encobrindo a estrada e a quantidade de animais e de aves. A travessia do imenso rio Xingu, de guas escuras, quase pretas, amedrontador, numa pequena balsa com motorzinho de 12 HP pelos ndios caiaps numa baita m vontade.

Uma noite ao lado do templo da Eubiose, em Nova Xavantina, s margens do legendrio Rio das Mortes, na praia conversando com indigenistas sobre o futuro espiritualista do mundo e vendo as estrelas. Um pouco de loucura e pretenso potica de desvendar o futuro...

Um pouco mais adiante dali, descobri recentemente o restaurante da Dona Isabel, uma lisboeta que faz um bacalhau...! Serve bons vinhos, e a sobremesa de pudim de caf....meu Deus!

No Araguaia acompanhei uma boiada junto com o jovem e competente fotgrafo Felipe Barros, para a revista RDM.
Fui conhecendo gente nessas viagens e formando um capital de estrias e de vida que transformaram o meu modo de ver as pessoas e perceber que a simplicidade de gente comum gradua e ps-gradua em sabedoria. Quantas estrias! Com a permisso do leitor prometo vez ou outra recordar a alma to desconhecida desse Mato Grosso bonito e poderoso que vi e abracei em tantas viagens!

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