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27/08/2014

Inaturalist integra informações das redes sociais em banco de dados sobre o Pantanal

Juliana Arini blog Bichos do Pantanal - Planeta



Foto: kwiktor/iStock /Thinkstock
Onça-pintada
Quais seriam os avanços para a ciência se pesquisadores tivessem acesso às informações captadas por turistas que visitam regiões como o Pantanal? Foi para responder a essa pergunta que Vijay Brave, entomologista indiano e especialista no registro de dados da diversidade biológica, começou a sua pesquisa na Universidade do Kansas, nos EUA.

Os resultados desse estudo, inédito no mundo, resultaram na criação do Inaturalist – uma ferramenta que possibilita a convergência de informações científicas com os dados coletados pelos viajantes que registram a natureza do planeta. A nova tecnologia já está em teste no Brasil e, hoje, é aplicada pela equipe do Projeto Bichos do Pantanal, que mantém um convênio de pesquisa com a Universidade do Kansas. O objetivo da iniciativa é construírem juntos um dos mais completos bancos de dados mundiais sobre o Pantanal.

O sistema é o resultado da união dos registros obtidos pelos cientistas, com as informações captadas por turistas e repercutidas em redes como Picasa, Google+ e Flicker. Esses dados são decodificadas, pelas ferramentas criadas por Brave, e reorganizadas de forma que seja possível o seu uso científico. “Desenvolvi esse trabalho a partir de estudos das borboletas que coordeno na Índia desde 2004, onde pude unir minha atuação com o processamento de dados, com a pesquisa de entomologia, que desde a infância é um tema que me fascina”, afirma Brave.

A técnica de observação da ecologia das borboletas por meio do registro fotográfico obtido por diversas fontes – científicas e leigas -, tornou-se uma forma popular de estudo da natureza na Índia, onde já existem grupos como o DiversityIndia Yahoo, que se concentra em pequenos invertebrados, e as comunidades virtuais de naturalistas interessados em biodiversidade, como: SpiderIndia, DragonflyIndia, IndianMoths, AmphibianIndia, ReptileIndia, InsectIndia, InvertebrateIndia, WildflowerIndia, GernCareerIndia e GreenLifestyleIndia.

Nos EUA também há redes semelhantes. A contagem anual de pássaros (Christmas Bird Count, em inglês), é um desses exemplos. O evento ocorre com o apoio de famílias, estudantes, observadores e cientistas que – munidos de binóculos e guias de aves – saem por duas semanas com a missão de contar as aves em suas regiões. Os dados obtidos auxiliam na estimativa de quantos pássaros há no país. A grande inovação do Inaturalist é integrar dados de várias espécies de plantas e animais em uma só plataforma.

“Existe um grande potencial nos registros dos turistas e amantes da natureza, informações que há um tempo eram desprezadas. A ciência só tem a ganhar se forem criadas as ferramentas certas. Esse é o objetivo da nossa proposta, unir os dados coletados por cientistas, com tudo que já foi registrado por turistas na região”, afirma Douglas Trent, pesquisador-chefe do Bichos do Pantanal.

Desde dezembro de 2013, os dados de observação de onças-pintadas registrados por Trent estão no Inaturalist. A sua pesquisa com os grandes felinos busca responder por que há tantas incidências desse animal em Cáceres, no Mato Grosso. A região é reconhecida por cientistas como um dos melhores locais do mundo para a visualização de onças-pintadas. Só a equipe do projeto já registrou mais de 51 onças diferentes, em uma área com pouco mais de 300 quilômetros. Se considerarmos que o território reconhecido pela ciência para apenas um desses felinos é de 70 quilômetros quadrados, podemos perceber como os números de Cáceres são importantes.

Apesar desse alto registro de animais diferentes, Douglas Trent descarta a hipótese de haver uma superpopulação de onças-pintadas na região. Por meio da técnica de diferenciação pelo padrão de pinta frontais dos animais, o ecólogo afirma que grande parte das 51 onças que fotografou estavam apenas de passagem pelo Pantanal de Cáceres. “São animais diferentes, a cada temporada encontramos novos indivíduos”, explica Trent. “Precisamos descobrir agora para onde esses felinos vão depois de passarem por essa área e por que são atraídos para cá”, conclui.

Esse é um dos mistérios que o Inaturalist pode ajudar a desvendar. A plataforma poderá integrar registros de uma mesma onça em vários outros pontos do Pantanal. Basta que outra pessoa consiga fotografar o mesmo animal, marque a sua localização por GPS e lance o dado na plataforma, que pode ser acessada inclusive do Facebook.O nome do responsável pelo registro, mesmo os leigos, pode inclusive ser citado em estudos de pesquisadores que venham acessar esse banco de dados.

Animais do Pantanal

  • Arara azul
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Capivara
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Tuiuiu
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Arara azul em seu ninho
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Cervo do pantanal
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Garça branca
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Jacaré
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Casal de Tuiuius
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Casal de Tuiuius em seu ninho
    Foto: Arquivo SEMATUR
  • Quati
    Foto: Arquivo SEMATUR


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